Faltando cinco dias para desocupação, Arsele pode ganhar novo espaço para continuar trabalho comunitário

Faltando cinco dias para desocupação, Arsele pode ganhar novo espaço para continuar trabalho comunitário

Foto: Reprodução / Assessoria vereadora Marina Callegaro

A Associação de Reciclagem Seletivo Esperança (Arsele) pode ter encontrado um novo local para retomar suas atividades em Santa Maria. Após mais de duas décadas instalada no bairro Divina Providência, a entidade precisará deixar a sede onde funcionava, no pavilhão do Km 2, perto da Avenida Borges de Medeiros, e agora tem como alternativa um centro comunitário localizado na Rua Domingos de Almeida, no bairro Salgado Filho. A possibilidade surge depois de semanas de incerteza para os trabalhadores da reciclagem, que tiveram as atividades interrompidas por determinação do poder público.

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O espaço, que deve abrigar a separação e o armazenamento dos materiais recicláveis, é um centro comunitário localizado na Rua Domingos de Almeida, no bairro Salgado Filho. Nesta segunda-feira (12), o local foi visitado para avaliação das condições estruturais e de funcionamento, com o objetivo de viabilizar a realocação da associação e permitir a retomada do trabalho que garante renda a dezenas de famílias.

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Para a presidente da Arsele, Terezinha Aires Domingues, 77 anos, a possibilidade de realocação é motivo de alívio e comemoração. Segundo ela, a cessão do novo espaço já está encaminhada, restando apenas a formalização do processo para que a associação possa iniciar a mudança. O prédio, que estava desativado há algum tempo, ainda precisará passar por adequações, mas já é visto como um passo fundamental para a retomada das atividades.

Graças a Deus, os nossos caminhos foram iluminados e está dando certo. Assim que assinarmos o documento, já podemos começar. Não é o espaço ideal, mas é um começo – destacou Terezinha.


Trajetória comunitária e desocupação: entenda o contexto

A Arsele atua há mais de 25 anos em Santa Maria e é reconhecida pelo trabalho na coleta e reciclagem de resíduos, além de desenvolver ações sociais junto à comunidade. Desde que foi notificada, em 17 de dezembro de 2025, sobre a necessidade de deixar o pavilhão onde funciona atualmente, a associação tem enfrentado incertezas e prejuízos, com dificuldades para manter a rotina de trabalho enquanto busca uma alternativa para dar continuidade às atividades.

Foto: Vitória Sarturi

A notificação para a desocupação do imóvel foi emitida após a deflagração da Operação Km 2, que teve como foco o combate à criminalidade na região. Apesar de não possuir qualquer vínculo com os grupos investigados, a Arsele acabou incluída na ordem de desocupação do pavilhão, que, conforme a prefeitura, apresenta riscos estruturais e de segurança identificados em laudos técnicos. 

O Executivo municipal também informa que a permissão de uso da entidade está vencida desde 2022 e que não há licenciamento ambiental vigente para a atividade no local. O prazo para a saída definitiva do espaço permanece mantido até o dia 17 de janeiro. O imóvel, que pertenceu à antiga Rede Ferroviária Federal, encontra-se atualmente sob responsabilidade do município.

“Aqui tem história”: desocupação anunciada pela prefeitura preocupa escola de samba e recicladores que ocupam prédio do Km 2

Caso a cessão do novo espaço seja confirmada, a mudança poderá representar um passo importante para a continuidade do trabalho dos recicladores, que aguardam uma definição para reorganizar a rotina e reduzir os impactos provocados pela possível interrupção das atividades.

A articulação para viabilizar o novo local contou com o acompanhamento da vereadora Marina Callegaro (PT), que participou das tratativas com o Executivo municipal e afirmou que seguirá ao lado da associação na busca de recursos e projetos para adequar o espaço e garantir condições seguras de trabalho.


O que diz a Prefeitura

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Santa Maria, que enviou a seguinte resposta: "Não há definição (oficial do destino para a Arsele). O projeto de estruturação da concessão dos resíduos sólidos via Circ (Consórcio Intermunicipal da Região Centro) prevê a qualificação do sistema de coleta e tratamento de resíduos , incluindo novos pavilhões para as associações e cooperativas de recicladores. E isso tem de ser levado em conta, conforme explicado para a vereadora em reunião com a Prefeitura."


Como estão os outros grupos

Foto: Vitória Sarturi (Diário)

Em situação semelhante, a Escola de Samba Vila Brasil, que também funciona no pavilhão do Km 2 e foi incluída na ordem de desocupação, tenta articular uma alternativa para manter suas atividades. Na última quinta-feira (8), o presidente da Câmara de Vereadores, Sergio Cechin (PP), recebeu no gabinete da Presidência representantes da Liga das Escolas de Samba de Santa Maria (Liessma), em reunião solicitada pela vereadora Alice Carvalho (PSol), que tem atuado como ponte entre as entidades afetadas e o Legislativo. Participaram do encontro o presidente da Liga, Serginho Marques, e a advogada Noemy Bastos Aramburú.

Durante a reunião, a Liga ressaltou que o objetivo é “identificar alternativas que permitam contornar a situação”. Cechin afirmou que pretende solicitar uma audiência com o Executivo municipal para buscar uma solução negociada, avaliando a possibilidade de intermediação institucional.

Enquanto isso, a situação de uma moradora que vive em um dos pavilhões segue indefinida. Ela reside no local há quase dois anos, em uma casa improvisada, junto com cinco netos. Segundo relatos de moradores da região, a mulher – que prefere não se identificar – tem organizado seus pertences para a desocupação, mas ainda não recebeu orientações nem sabe para onde irá após deixar o espaço. 



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Vitória Sarturi

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